Qual a relação entre turismo e literatura?


Marcelo Spalding

Sejam bem-vindas e bem-vindos a este livro. Escreverei aqui sobre algo que foi meu hobbie desde a infância e aos poucos se tornou meu trabalho: as palavras. Por palavras entende-se livros, linguagem, escrita, leitura, personagens, ficção. Na falta de um termo melhor, literatura.

Afora as discussões acadêmicas em torno do termo “literatura”, especialmente pela sua institucionalização e seu elitismo (quem tem acima de 40, como eu, lembra da discussão sobre Paulo Coelho ser ou não literatura), o termo é o que melhor representa para o grande público esse rol de possibilidades do mundo das palavras. Mas e o que isso tem a ver com turismo?

Muito. Desde criança se ouve que ler nos faz viajar, e de fato há muitos livros que nos fazem viajar pelos mais diversos e distantes lugares do mundo. Deste e de outros. Do presente e do passado.

O Vermelho e o Negro, de Stendhal, é uma representação da conturbada França dos anos 1800 escrita enquanto a Revolução de 1848 acontecia. Os livros de Machado de Assis e José de Alencar são nossa referência sobre a vida nas grandes cidades do Brasil nos mesmos 1800, assim como Jorge Amado, Rachel de Queirós, Erico Verissimo e tantos outros nos anos 1900 nos revelaram um país para além do Rio de Janeiro.

Quarto de Despejo, de Carolina de Jesus, ou Cidade de Deus, de Paulo Lins, nos transportaram para uma comunidade de funcionamento próprio dentro da nossa própria cidade. E mais contemporaneamente, O Caçador de Pipas, best-seller de Khaled Hosseini publicado no começo dos anos 2000, nos leva para um dos locais mais conflagrados do mundo nos nossos tempos. Sem falar de obras fundamentais de resgate histórico-social como Um defeito de cor, de Ana Maria Gonçalves, e Ideias para adiar o fim do mundo, este um livro de não-ficção, de Ailton Krenak.


Para além daquilo que existe, a literatura cria (e depois o cinema potencializa) universos ficcionais que se tornam partes do mundo existente no imaginário dos leitores, que passam a buscar pelo turismo conhecer cidades, prédios ou locações dessas histórias. A Livraria Lello, em Porto, por exemplo, nunca mais foi a mesma depois do boato de que inspirou Rowling a escrever Harry Potter (hoje a livraria cobra ingresso e tem filas permanentes para entrar nela). Ilhéus, na Bahia, tem como principal referência turística o romance Gabriela, Cravo e Canela, de Jorge Amado, inspirado na cidade. E por aí vai.

São estas conexões que se aproximam e se juntam aqui para a escrita desses textos. Um trabalho infindável, como eternas são as viagens e a literatura. Pelo menos assim esperamos.


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Viagens Crônicas, por Marcelo Spalding

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